Associação Portuguesa de Otoneurologia

Hyperplastic growth, not hydrostatic distension, in endolymphatic hydrops

Comentário

Artigo, de Bryton et al., publicado em novembro de 2025 na Scientific Reports (Nature Portfolio), começa por desafiar de forma decisiva o paradigma clássico da hidropsia endolinfática, propondo que a sua base fisiopatológica reside na hiperplasia epitelial activa e não no aumento da pressão hidrostática.

Através de histologia humana pós-morte, reconstruções 3D, quantificação celular assistida por machine learning e imunohistoquímica, os autores demonstram aumento marcado do número de células na membrana de Reissner e na membrana sacular, sem sinais de distensão mecânica ou ruptura.

Esta hiperplasia surge precocemente e parece constituir uma resposta compensatória à perda funcional do saco endolinfático, estrutura central na homeostase do ouvido interno.

As células neoformadas mantêm expressão de proteínas de transporte iónico, sugerindo função fisiológica preservada.

Este novo modelo redefine a hidropsia como um fenómeno biológico e dinâmico, com potencial transição de adaptação para maladaptação.

As implicações futuras apontam para novas abordagens terapêuticas, focadas na modulação da regeneração epitelial e na prevenção da remodelação patológica, em vez da simples redução de “pressão” endolinfática.

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