A Reunião de Inverno da APO teve lugar no dia 24 de Fevereiro em Viana do Castelo, no navio hospital Gil Eanes e o tema foi ENXAQUECA VESTIBULAR.
 
Resumo
 
A Profª Isabel Pavão Martins apresentou a definição, critérios de diagnóstico e a clínica desta entidade clínica. Referiu que a Sociedade Internacional de Cefaleias e a Sociedade Bárány chegaram a acordo quanto aos critérios de diagnóstico da enxaqueca vestibular que se ilustram abaixo.
 
 
Após caracterizar cada um dos sintomas do quadro clínico desta entidade referiu que a sua apresentação é muito variável entre os diferentes indivíduos em vários aspectos como a duração das crises, relação temporal entre a cefaleia e a vertigem, tipo de aura, etc.. No entanto o diagnóstico é baseado nos critérios clínicos apresentados acima.
De seguida o Dr. Paulo Coelho falou sobre a epidemiologia e a fisiopatologia. Mostrou que a prevalência da enxaqueca vestibular na população é de cerca de um por cento e 3 vezes mais frequente em mulheres. É uma das 10 maiores causas de abstinência laboral.
A fisiopatologia da enxaqueca ainda não é totalmente compreendida mas parece que existe uma hiperexcitabilidade de alguns neurónios corticais e uma sensibilidade aumentada dos doentes a determinados estímulos (hormonais, stress, movimento, etc.). A activação neurogénea do sistema trigeminovascular libertará vários neuropeptídeos vasoactivos que provocarão uma resposta inflamatória meníngea estéril. Alguns sintomas labirínticos poderão ser devidos à mesma activação neurogénea do sistema trigeminovascular que inerva também os vasos do ouvido interno.
A Dra. Sandra Costa abordou os exames auxiliares de diagnostico, tendo salientado que o seu papel muito importante no diagnóstico diferencial desta patologia com outras doenças vestibulares.
A Dra. Maria Manuel Henriques apresentou o tema “Enxaqueca vestibular e Doença de Meniére” e a Dra. Margarida Amorim “Outros diagnósticos diferenciais”, tendo ambas referindo que na enxaqueca vestibular os sinais e sintomas apontam para patologia central enquanto o Dr. Carlos Andrade abordou o tratamento da enxaqueca vestibular dividindo-o no tratamento da crise aguda e no tratamento profiláctico. No tratamento agudo deve ser ponderado o uso de triptanos, analgésicos / anti-inflamatórios de reguladores do transito gastrointestinal. O tratamento profiláctico deve ter duas abordagens, as medidas gerais e diatéticas e o tratamento farmacológico, no qual podemos contar com diferentes grupos de fármacos, dentre os quais os bloqueadores beta, os antiepilépticos, os antidepressivos e os bloqueadores dos canais de cálcio. Realçou que ainda são necessários estudos mais aprofundados para estabelecer o tratamento ideal para cada situação clínica. 
Para finalizar a manhã o Dr. João Pedro Vieira apresentou o tema “enxaqueca vestibular na criança” realçando as suas particularidades neste grupo etário e a sua forma particular de tratamento.
 
No período da tarde assistiu-se a uma conversa muito interessante entre o Prof. Leonel Luís e a Prof. Isabel Luzeiros sobre as perspectivas do ORL e do Neurologista sobre esta patologia que foi muito viva e enriquecedora.
 
Este tema será o tema do próximo Raport da APO que será distribuído no Congresso Nacional.